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Recém-mestre cria sistema preventivo para fugas de vapor e condensados
22-09-2017

Eduarda Melo, recém-mestre em Engenharia Química – ramo de Energia e Biorrefinaria pelo ISEP, desenvolveu um sistema de manutenção preventiva para evitar e atenuar os efeitos de eventuais fugas de vapor e condensados. O projeto da jovem começou a ser aplicado no final do estágio curricular,  em todas as áreas do centro de Produção de Leça do Balio, da UNUCER, que consomem vapor, sendo elas o Fabrico, as Adegas, o Enchimento, a ETAR (e outras áreas de menores consumos).

O vapor é considerado o fluido mais eficiente no transporte de energia calorífica numa indústria. Porém, é preciso garantir que o mesmo é entregue em segurança, com boa qualidade, na quantidade e pressão necessárias e com o mínimo de perdas de calor ao longo do seu percurso. Com efeito, este projeto surgiu, precisamente, da necessidade de prevenção de falhas e de aumento do tempo de vida útil das ferramentas usadas na rede de vapor e condensados.

“As fugas de vapor podem ocorrer de várias formas, traduzindo-se, em qualquer dos casos, em perdas de energia térmica que terão de ser compensadas com gás natural [combustível utilizado para a produção de vapor na UNICER], aumentando a fatura do mesmo. Para além de provocarem um aumento de consumo de gás natural, as fugas de vapor para o exterior da conduta constituem uma situação de perigo para os operadores. Relativamente às fugas de vapor para a zona dos condensados, através dos purgadores, estas podem ainda provocar ‘martelos de água’ que podem danificar os componentes desta rede”, explica Eduarda Melo.

O sistema preventivo desenvolvido integra, essencialmente, um conjunto de atividades, que devem ser executadas periodicamente a cada um dos equipamentos existentes nesta rede, com o objetivo de os preservar e evitar a ocorrência das situações supracitadas. Nestas atividades “destaca-se a tarefa ‘avaliação do estado dos purgadores com a câmara termográfica’, que permite evidenciar o correto ou incorreto funcionamento dos mesmos”, conta a jovem. Sempre que se detetam situações irregulares são acionadas as “intervenções necessárias para normalizar o funcionamento da rede de vapor e evitar o aumento da fuga”, acrescenta.

De modo a facilitar os processos de manutenção preventiva, Eduarda Melo procedeu à informatização das informações recolhidas no terreno através do SAP-PM (Systems Applications and Product – Plant Maintenance). Assim sendo, preveem-se os materiais necessários aos planos de manutenção, o número de operadores envolvidos, a duração e periodicidade das tarefas. “No dia em que os planos forem agendados, os operadores receberão uma notificação que lhes indica qual o equipamento em que terão de efetuar a manutenção preventiva. Esta metodologia permite ainda criar um histórico das intervenções efetuadas em cada equipamento”, esclarece a jovem.

Fruto deste trabalho, Eduarda Melo obteve a distinta classificação de 19 valores, sob a orientação da docente do Departamento de Engenharia Química (DEQ), Isabel Brás Pereira. O sucesso foi de tal ordem que, atualmente, a recém-mestre pelo ISEP está a realizar um estágio profissional na UNICER.

O Mestrado em Engenharia Química do ISEP centra-se no desenvolvimento de conhecimentos avançados ao nível da otimização e integração de processos, reatores químicos, termodinâmica aplicada, processos biológicos e fenómenos de transporte. Ao longo de quatro semestres, os mestrandos interagem com grupos e projetos de investigação e abordam estudos de caso reais, para desenvolverem capacidades multidimensionais de análise, planeamento e implementação de novas tecnológicas na resolução de problemas.