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Alumni Além Fronteiras: Mário Silva
27-02-2019

De Fafe para Oslo. Mário Silva, 39 anos, natural do concelho de Fafe, formou-se em Engenharia Química no ISEP e assume agora funções enquanto investigador no Institute for Energy Technology, em Oslo, na Noruega. Integrado numa equipa multidisciplinar e multicultural, Mário trabalha com química analítica e nanotecnologia, ambas aplicadas ao desenvolvimento de novas tecnologias de processos químicos.  

- Em que medida o ISEP lhe deu as bases para um futuro de sucesso?

O ISEP proporciona uma relação de proximidade entre docentes, funcionários e alunos que é fantástica para adquirir conhecimentos e competências. Outra vantagem, era a possibilidade de frequentar aulas em regime pós-laboral. Para mim, não teria sido possível estudar sem esta valência.

- Como recorda os docentes e os seus colegas de curso?

Existia um grande espírito de entreajuda e camaradagem. Aprendi muito com os meus docentes e todos tinham um foco muito grande nos alunos. Hoje, considero uma grande parte como amigos.

- Alguma personalidade que o tenha marcado em particular?

De uma maneira geral, todos os que trabalharam no Departamento de Engenharia Química. Tenho que realçar, no entanto, dois colegas com quem aprendi imenso e que foram uma inspiração: o Luís Vasconcelos e o Simão Dias. Espero tê-los ajudado da mesma forma como me ajudaram.

- Algum momento mais engraçado que se lembre e queira partilhar?

Vários! O bom ambiente que tínhamos proporcionava-os com frequência. Recordo-me, por exemplo, que uma docente referia por vezes “o meu carneiro”. Durante cerca de 2 meses, andamos convencidos que tinha mesmo um animal em casa. Só depois percebemos que se referia ao marido que tinha este apelido!

- Do que mais tem saudades? Continua a acompanhar, de alguma forma, o Instituto?

Do que mais sinto saudades no ISEP são as pessoas. Não são só excelentes profissionais, mas também excelentes seres humanos. Acompanho um pouco o ISEP pelas redes sociais e é com satisfação que vejo que a instituição se está a transformar e a desenvolver com os novos tempos. Num futuro mais próximo, tenho planos para iniciar uma colaboração com o GRAQ que espero ter oportunidade de desenvolver.

- Como foi a adaptação num novo país?

Estive sozinho na cidade durante cerca de 3 meses até a família se juntar a mim. E a adaptação ainda está em curso. Mas, de uma forma geral, quando somos “convidados” a vir para cá, a adaptação é um processo fácil. Somos muito bem tratados e temos ajuda para resolver todos os problemas, desde encontrar casa até questões mais burocráticas.

- Quais as maiores dificuldades e diferenças culturais que encontrou?

A forma como os noruegueses encaram o dia-a-dia é muito diferente do que conhecemos em Portugal. Todas as mensagens são sempre positivas, os erros são para aprender e não para culpabilizar. As pessoas têm, normalmente, diferentes redes (os colegas de trabalho, do ski, das caminhadas, do coro) que não se misturam, o que torna difícil a construção de uma rede social. Existe também uma relação muito diferente com o trabalho. Trabalha-se 37,5 horas por semana. Nem mais, nem menos. E não se trabalha nem 1 minuto extra se não for pago e planeado com a devida antecedência. Isto leva a um equilíbrio muito maior entre a vida profissional e pessoal e sobra muito mais tempo para nós.

- O que está a gostar mais? Que sítios aconselha a visitar?

O que mais gosto é do equilíbrio que referi entre a vida pessoal e profissional, do ambiente de trabalho e dos projetos internacionais onde estou envolvido (temos projetos que integram profissionais desde os EAU aos EUA). Mesmo com pouca luz, gosto do inverno e da beleza natural deste país. Aconselho uma visita ao oeste do país, em particular Stavanger, Bergen, e toda a região envolvente. É, simplesmente, deslumbrante!

- Tem planos para voltar?

Tenho muitas saudades do mar (o nosso mar é especial) e da comida, mas não tenho planos a curto prazo para voltar para Portugal. A família sente-se bem aqui e existem mais oportunidades para quem trabalha em I&D. No entanto, temos algumas dúvidas sobre permanecer aqui a longo prazo, pois também gostava de experienciar outros países.

Que mensagem deixa para os jovens estudantes do ISEP?

Fizeram a escolha certa ao optar por esta Escola. Aproveitem as oportunidades que o ISEP proporciona e escolham o vosso caminho sem receios. No ISEP têm tudo o que precisam para desenvolver competências e conhecimento que vos permitem escolher uma carreira mais prática, tecnológica, ou de investigação e desenvolvimento, consoante a vossa preferência.